Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Renato Russo: Uma biografia do Brasil!


Morando em Brasília há pouco mais de 3 anos, venho me ambientando aos poucos com os cenários do planalto central. As comidas, as falas, as gentes, as situações, as culturas, os maneirismos, as histórias, os locais... Tudo é sempre muito novo por aqui. Se Brasília tivesse esquinas, como outras cidades tem, poderia dizer que era dobrar uma e ser surpreendido.

Não bastasse isso, recentemente fui presenteado com um exemplar de Renato Russo - O Filho da Revolução (Obrigado, meu amor!). Não é uma biografia padrão. O autor contextualiza o cenário e o momento histórico em que vivia Renato Russo, para que o leitor entenda quem realmente era Renato. Há longas passagens sobre movimento musical, movimento político, ditadura, história de Brasília, movimento cultural, sem uma gota a respeito de Renato. E então, somos brindados com uma cena da vida de Manfredini ocorrida no contexto que acabara de ser narrado.

É um livro excelente, empolgante mesmo. Com uma linguagem que tem um quê de cinematográfica (daria um ótimo filme): o livro já inicia com tensão absoluta, ameaças de bomba a Renato por telefone, ditadura, confrontos estudantis, então a cena corta para um momento distante do passado. Nem JK escapa à narrativa, como não poderia deixar de ser, tão íntima é a história de Renato com a história de Brasília e do Brasil, já que ele viveu naqueles "tempos quentes".

O livro é recheado de fotos antológicas, letras de músicas rascunhadas com a própria letra de Renato e confissões de amigos, parentes e conhecidos do cantor. É um livro de muitas páginas, que impressionam à primeira vista os menos afeitos à leitura, mas que fisgam o leitor de cara. Não dá pra desgrudar fácil da obra. Assim como não dá para memorizar o turbilhão de informações históricas que são metralhadas linha a linha. Você vai lendo e vai descobrindo o porquê dos títulos e letras e atitudes de Renato, mas não de forma direta, o autor faz você descobrir as coisas de forma sutil.

A narrativa não segue uma ordem linear. Ela segue como um flash que brilha aqui e se apaga ali, reaparecendo mais adiante, e de volta outra vez. É específica em citar nomes, endereços, datas, marcas, e situações. Mostra um Renato comum e sonhador, como todo adolescente o é. Que se achava feio e desejaitado. Que se intimidava fácil, mas não deixava transparecer, sempre com respostas ácidas, mordazes e irônicas na ponta da língua. Um CDF como toda classe ou escola tem. Um obstinado e idealizador como poucos são. Pode-se dizer, sem desmerecer sua trajetória e seu talento, que Renato esteve nos lugares certos nas horas certas. Na efervescência que eram aqueles tempos de ditadura, com a cultura punk explodindo pelo mundo, enquanto aqui o que explodia eram as bombas de gás lacrimogeneo, com o movimento estudantil cada vez maior, conturbado e anárquico, a ponto de ser criticado pelo então metalúrgico Lula e artistas da época, aquele era o cenário ideal para o desenvolvimento de uma mente contestadora, crítica e cheia de imaginação - Renato chegou a escrever três volumes contando a história de uma banda de rock fictícia que ele sonhava que seria a sua um dia. Eu gostaria de ler esses livros se um dia forem publicados.

Enfim, ainda estou no primeiro terço da biografia. Mas as surpresas não param por aí. Mais recentemente recebi de um amigo um vídeo, trecho do filme "O Homem do Rio", gravado na Brasília de 1964, o ano em que estourou a ditadura. É um dos filmes que marcou o estilo Nouvelle Vague, com o ator Jean-Paul Belmondo, ícone sexual da época, que faz uma espécie de 007. Naquele mesmo ano, a UnB foi invadida pelos milicos. Dezesseis professores foram expulsos, e outros 223 se demitiram em apoio aos primeiros. O Cérebro de Brasília, como era chamada a UnB pelos estrategistas militares, entrou em coma. Brasília ainda estava por terminar, uma poeira só, e muita coisa ainda estava por acontecer. Renato passou ao largo de muitos eventos dramáticos, não por vontade, mas porque morou um tempo nos EUA enquanto seu pai fazia pós, e depois porque ficou de cama por uns três anos, sem poder andar, acometido por uma doença que lhe rendeu três pinos na perna.



Não bastasse isso (sim, tem mais), o filho de Renato Russo (Giuliano Manfredini) e a irmã de Renato (Carmem Manfredini), mais ex-integrantes do Capital Inicial acabam de fundar uma banda chamada Multiverso Paralelo. O primeiro CD (beneficente) chamado "Rock solidário é rock mesmo" está sendo divulgado via internet e em cartazes espalhados pelo DF (vi um na padaria próximo de casa). O CD está sendo distribuído meio offstream. Com interpretações de músicas clássicas do Legião Urbana, as vendas desse trabalho serão revertidas para entidades que cuidam de viciados em drogas. Veja a seguir a irmã de Renato em entrevista e uma performance do grupo:



O quê? Ficou com saudades das velhas e boas músicas da Legião? Ouça aqui ;-)

Por enquanto é só! :-)

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Mesmo depois de casado: não deixe de namorar!


Quem nao tem namorado é alguém que tirou férias nao remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhaçao, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixao é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado nao precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteçao. A proteçao dele nao precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensao ou mesmo de afliçao.

Quem nao tem namorado nao é quem nao tem um amor: é quem nao sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode nao ter namorado.

Nao tem namorado quem nao sabe o gosto da chuva, cinema sessao das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Nao tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Nao tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Nao tem namorado quem nao sabe o valor de maos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Nao tem namorado quem nao gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Nao tem namorado quem nao gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Nao tem namorado quem nao redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro.

Nao tem namorado quem nao tem música secreta [ou código secreto] com ele, quem nao dedica livros, quem nao recorta artigos, quem nao chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Nao tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Nao tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Nao tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigaçoes; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Nao tem namorado quem confunde solidao com ficar sozinho. Nao tem namorado quem nao fala sozinho, nao ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você nao tem namorado porque nao descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de maos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricçoes de esperança. De alma escovada e coraçao estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.

Ponha intençoes de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chao estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você nao tem namorado é porque ainda nao enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Explode Coração


Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar, e me cortou...

Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver
Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor desta manhã

Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu
Chorando, sorrindo, sofrendo, adorando, gritando
Feito louca, alucinada e criança
Eu quero o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar, explode coração...
Gonzaguinha

Wall, 82* ;-*

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Dia dos namorados vem aí: dicas!


O dia dos namorados está chegando. E muita gente acha que ser romântico é coisa de viado ou coisa de mulher. Mas como mostra a imagem acima, não há paquera sem romantismo. Delicadeza é tudo, gente! Então, no dia 12 de junho, ponha o seu lado feminino pra fora, seja delicado e sutil... Chame ela pra sair, pra jantar fora, ou pra ver um cineminha. Mande flores! Não tenha medo de parecer piegas. Chame-a pra dançar! Mas, acima de tudo, preste atenção no modo como a conduz... senão enche de terra e estraga tudo, uhauhauhauhuahauhau

Moral da história: Tem que ter pegada, mas tem que saber como pegar!

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Micro Focus compra Borland


Na onda de compras, aquisições, fusões e parcerias, cada vez mais necessárias devido às crises sucessivas que incidem mundo afora (crise econômica, gripe suína, Dilma), eis que a Micro Focus compra a Borland. Não causa tanto frisson quanto Oracle comprando Sun, ou Microsoft comprando Yahoo. A Borland já tinha passado da fase de pedir pra ser comprada, tava ali, meio jogada, esperando algum salvador, quase implorando, meio low profile.

Ela perdeu valor quando mudou a marca para Inprise e depois voltou atrás (alguém lembra?) - as ações caíram que foi uma beleza. Perdeu valor quando transformou o Delphi em uma plataforma de desenvolvimento .Net multilinguagem, abandonando a idéia de fazer um ambiente multiplataforma com o Kylix. Vi muita gente migrar para Java ou outras plataformas por causa disso (aquele velho medo de ficar preso a uma tecnologia). Sem contar o fato de que o Delphi se tornou umas das ferramentas mais caras para desenvolver. E a complexidade do framework para aplicações corporativas embarcado no Delphi aumentou de tal maneira que o conceito de interface amigável do início da carreira já foi por água abaixo - a curva de aprendizagem subiu exponencialmente.

A cereja do bolo foi retirar do seu core o carro chefe - Delphi -, agora mantido pela CodeGear. Ou seja, ficou só a casca do ovo vazia, com alguma proteína lá dentro e cálcio: foi o que a Micro Focus levou.

Como gosto mais de programar do que fazer otras cositas de la TI, volto meus olhos para a CodeGear, talvez (eu disse talvez) ela possa tornar o Delphi uma plataforma competitiva e com expressão no mercado novamente (nostálgico).

Mas eu acho que a minha primeira impressão quando soube da notícia não se confirma.


Domingo, 26 de Abril de 2009

O fim de um bom relacionamento: Last.fm agora pede pra sair!


Tava eu fazendo meu imposto de renda enquanto era tempo, ouvindo minha estação de rádio no Last.fm, numa tarde chuvosa de domingo, quando de repente um som de alerta soa no meu Windows. Um ALT+TAB revela o que meus olhos não quiseram crer: Last.fm agora pede pra eu sair, digo, agora pede assinatura mensal. Só lamento, mas...

Ironicamente, depois que cliquei em OK, na caixa de diálogo que aparece na imagem logo acima, o Last, meu querido Last, tocou a última, a "THE LAST" pra mim: de Paulinho da Viola, E a vida continua :)



Pois é, Last, é isso aí, a vida continua, e agora... :~( vai ser sem você.

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Feed


Sempre recebo notícias de diversas fontes, tanto as que eu procuro, quanto as indesejadas, que às vezes são até interessantes. Mas ontem recebi várias notícias de uma só vez que pensei logo: essas merecem um post.

Pra começar, a Sun divulga o lançamento do primeiro celular com JavaFX, correndo por fora da briga entre Android e iPhone.

Depois, tem a notícia hilária de namoradas de banqueiros norte-americanos falidos e f... que choram as pitangas em um blog criado especialmente para isso. É tão ridículo que chega a ser engraçado - quer dizer, o cara já tá todo lascado, aí a mulher ainda resolve contar "segredinhos" da decadência na Internet, citando nome e tudo, pra todo mundo saber. Isso é realmente uma "Decadence avec elegance".

Falando em decadência, Ronalducho, ele mesmo, depois que assinou com o coringão, agora volta à berlinda. Mas é claro que 'neguinho' não perdoa: ele aparece no FIFA'09 gordo e lento. Ter Ronalducho no seu time é quase certeza de que seu time irá perder - que maldade!

Aí a Google compra uma fábrica de papel e todo mundo fica pensando se ela vai começar a produzir papel... ^^ É mais provável que ela só queira o prédio para construir mais uma sede. O que parece mais óbvio é que não é.

Falando em Google, empresas .com... Vivemos uma situação pitoresca, a deflação. Hoje já é possível encontrar notebooks por R$ 1000,00. E os economistas não sabem o que fazer com isso. O que é bom para o consumidor, pode ser um desastre para a economia. Pois se um artigo começa a baratear, a primeira impressão é que todos irão comprar. Mas não é assim que acontece, porque as pessoas podem simplesmente parar de comprar aquele artigo, esperando que ele baixe mais ainda. Na inflação, não. Na inflação ocorre o inverso: compre logo, antes que suba!

E em tempos de crise, nada como inovar e procurar alternativas que tenham um ótimo custo/benefício. Isso pode ser o caso do software para tratamento de imagens o XnView e o caso da Marvel, que resolveu publicar e-quadrinhos na internet.

E é claro que idiotices acontecem, afinal, como já dizia Forrest Gump: Idiota é quem faz idiotice. Quer dizer, ao invés de combaterem a corrupção efetivamente, equipar e treinar melhor os agentes de segurança em todas as esferas e melhorar o sistema de justiça de um modo em geral, como deve ser feito, eles vivem lutando contra os sintomas, ao invés de cortar o mal pela raiz. E quem paga o pato é sempre o cidadão comum.

Agora, no México, pra você comprar um celular pré-pago, você tem que deixar suas digitais na operadora e todas as suas conversas são armazenadas por um ano. Como se isso fosse ser eficaz para combater a criminalidade. Aqui, passaram a exigir documentos para registro do chip GSM, mas inacreditavelmente os bandidos continuam a utilizar celulares nos presídios, e ninguém sabe como e nem quem. É mais uma idéia genial que vai gerar burocracia, aborrecimento para o cidadão comum, e não vai dar em nada. Aqui, já até se cogitou a possibilidade de não se vender mais pré-pago, como se isso fosse acabar com o crime organizado. Putz!

Só ficando muito Zen mesmo! Doctor Robert, where are you?

Gasshô